Conselho de Resolução de Conflitos: como podemos nos comunicar melhor?


(Felipe Do E. Santo) #1

Olá, tudo bem com você?
Essa é nossa segunda edição das pílulas semanais com conteúdo focado em melhorar nossa convivência e nossas formas de comunicação. Gostaria de convidar novamente todos a participarem da produção desse conteúdo, acessem nosso repo[1] e saibam mais sobre o processo de criação do conteúdo de cada semana.

Um agradecimento especial ao @geraldobarros pela sugestão do tema que será abordado nessa semana que é: Como podemos nos comunicar melhor?

“Se é da comunicação humana o ato de falar e ouvir e, se quando o fazemos de coração isso nos liga uns aos outros …” (M. Rosenberg)

Como a forma de comunicar está intimamente ligada aos traços culturais de um povo, a visão de mundo que se tem e as distintas personalidades das pessoas, identificamos que sociedades que possuem hábitos violentos, inevitavelmente revelam processos de comunicação violentos, com expressões preconceituosas, ofensivas e julgadoras. E infelizmente são muitas as sociedades com esses traços, inclusive a brasileira.

Através da comunicação, você pode conseguir ou não o que você quer. Criar um diálogo ou um conflito, fazer dar certo ou colocar tudo por água abaixo. Sempre convivemos com pessoas que possuem pensamentos diferentes, justamente por isso devemos dar uma atenção especial a nossa forma de comunicação. Uma habilidade vital para a boa convivência.

Existem inúmeras formas de se comunicar, incontáveis estudos e pesquisas relacionados a esse tema, entre esses estudos a “Comunicação Não-Violenta” tem alguns pontos que podemos praticar e adotar no nosso dia a dia:

A ‘‘Comunicação Não-Violenta’’ (CNV) surge como uma forma de rever os critérios de interação entre as pessoas, através da atenção aos comportamentos e sentimentos envolvidos na comunicação. O modelo desenvolvido pelo Dr. Marshall Rosenberg, fruto de pesquisas contínuas – mais de 40 anos – foi baseado nas ideias de Gandhi e na psicologia humanística de Carl Rogers. Ele apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação, em que predomina uma comunicação eficaz com empatia.

Isso acontece através de quatro fases onde expressões verbais honestas são pressupostos básicos da comunicação. São elas:

1. Observação: que deve acontecer de maneira descritiva sobre a situação, sem julgamentos ou avaliações, ou seja, se atendo exclusivamente ao fato. Exemplo: Comentário Julgador – “Você é generoso”. Comentário Descritivo – “Quando ajuda sua família financeiramente e oferece palavras de carinho para os outros eu acho você generoso”.

2. Sentimento: identificar como se sente em relação ao que está observando. Em geral, os sentimentos resultam de como escolhemos receber as ações e falas dos outros podendo aparecer de quatro formas:

  1. Culpar a nós mesmos
  2. Culpar os outros
  3. Escutar nossos próprios sentimentos e necessidades
  4. Escutar os sentimentos e necessidades dos outros

O mais importante de tudo em situações de conflito é assumirmos 100% da nossa responsabilidade por nossos sentimentos, mas em geral não somos educados assim.

3. Necessidades: quais valores e desejos são gerados a partir dos meus sentimentos, ou seja, ao invés de pensar no que está errado na situação ou no seu interlocutor, podemos pensar sobre quais necessidades queremos ver atendidas.

4. Pedidos: que devem ser claros e específicos, feitos de maneira positiva e assertiva.

Baseado nessas informações veja algumas dicas para melhorar a sua comunicação:

1. O Corpo Fala
Seu Corpo, o tom e a velocidade da voz, sua expressão e a escolha das palavras podem dizer muitas coisas de você. O corpo pode demonstrar sentimentos que não estão explícitos na sua fala, mas o outro consegue perceber. De nada adianta falar sem sentir.

Se você está com raiva, por exemplo, não conseguirá disfarçar por muito tempo. Se for o caso, procure trabalhar essa raiva dentro de você antes de se dirigir à outra pessoa. Em outros casos, como medo, tristeza e insegurança, você pode muito bem dizer o que está sentindo. Colocar para fora o sentimento de uma forma assertiva muitas vezes reduz a intensidade dele no diálogo com o outro.

2. Harmonização
Às vezes estamos conversando com alguém com quem tivemos algum conflito. E mesmo não querendo, acabamos julgando a outra pessoa, ou nos tornamos reativos a ela. Em vez de resolvermos o problema através do diálogo, acabamos em uma competição de poder, para ver quem leva a melhor no final.

Você precisa se harmonizar com esta pessoa para que o seu julgamento sobre ela não interfira na comunicação e que a conversa traga resultado.

Relembre momentos em que você teve sintonia no passado com esta pessoa. Isto vai te ajudar a olhar pra ela sem julgamentos e com respeito.

3. As pessoas querem ser escutadas e compreendidas.
A comunicação não se trata de quem vai levar a melhor no final. Não é uma disputa. Quem começa uma conversa quer ser escutado e compreendido. Você pode não concordar, mas compreenda que o outro pode ter um ponto de vista diferente do seu.

Escute com calma, sem interferir no pensamento do outro e devolva o que a pessoa falou, mostrando a sua compreensão sobre o que foi dito. Depois, mostre o seu ponto de vista e demonstre compreensão. ex: “pelo que entendi, você está chateado com o que falei pra você, é isso? Compreendo o seu ponto de vista. Gostaria de te mostrar a razão de eu ter falado aquilo…”

4. Se não entendeu, faça perguntas
Muitas coisas não são resolvidas porque não entendemos o que o outro está falando. E quando não entendemos, ou tiramos nossas conclusões, ou julgamos, ou deixamos de lado.

Pergunte o que não entendeu. Peça para a pessoa tentar explicar em outras palavras. O fato de perguntar, demonstra que estava atento e que quer compreender a situação para poder ajudar.

5. Concentre-se nas emoções
As emoções podem atrapalhar a razão. Quando percebemos a emoção que está por trás de uma conversa, demonstramos respeito e disposição para ajudar.

Se você perceber que as emoções do outro estão interferindo na comunicação, explore isso, sem julgar.

6. Use e Abuse da Empatia
Muitos confundem empatia com simpatia. Empatia é colocar-se no lugar do outro. Ao sermos empáticos, passamos a ver a situação sob a perspectiva do outro, aceitando as diferenças e afastando o julgamento.

Faça a seguinte pergunta: “se eu estivesse no lugar dele (a), porque eu estaria pensando assim?”

7. Flexibilidade
Quando nos comunicamos, a tendência é defendermos o nosso ponto de vista. E isso pode, novamente, gerar aquela competição desnecessária.

Procure se abrir para outros pontos de vista diferentes do seu. Pode ter certeza que isso é enriquecedor!

8. Aprecie a Crítica
A relação é uma troca, e estamos constantemente aprendendo com o outro. Mas é natural que a gente REAJA a uma crítica negativa. E a sua reação leva a reação do outro, sem levar vocês a lugar nenhum.

Procure encarar as críticas como um aprendizado para melhorar. E mesmo que esta crítica venha com a intenção de te machucar, não se defenda, não se ofenda, explique ou justifique. Aprecie, mostre que compreende a visão do outro e siga em frente.

O que você acha desse tema? Podemos trabalhar algo mais para melhorar nossa comunicação? A sua participação e opinião é vital para o sucesso da nossa comunidade!

Atenciosamente,
Conselho de Resolução de Conflitos (08/2016-02/2017)

Referências:
[1]https://github.com/felipez3r0/pilulasemanal
[2]http://www.icf-sp.org/recursos.php?id=69
[3]http://www.reescrevase.com/single-post/2016/11/18/Diálogo-ou-Conflito-8-Dicas-para-se-comunicar-melhor